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terça-feira, 2 de setembro de 2014

RACHEL SHEHERAZADE, EVANGÉLICA COM OPINIÃO FORTE






onta-se em 'As mil e uma noites' - a mais famosa obra da literatura árabe - que o rei Shariar, depois ter sido traído por sua esposa, mandou matá-la. A partir de então, tomou uma terrível decisão: casar-se, todas as noites, com uma moça diferente e, ao amanhecer, ordenar sua execução. As mulheres do reino entraram em pânico com a sentença de morte, até que surgiu a bela Sherazade, a qual, em uma noite de núpcias, começou a contar àquele monarca uma história de aventuras que o deixou fascinado. Quando amanheceu, como a jovem ainda não havia terminado seu relato, o soberano foi obrigado a adiar seus planos assassinos até a noite seguinte, pois precisava ouvir o final da narrativa. Sherazade fez assim por mil e uma noites seguidas até que Shariar se apaixonou por ela, desistiu de assassiná-la e ambos viveram "felizes para sempre".

Foi desse conto que a jornalista Rachel Sheherazade Barbosa, 40, herdou o segundo nome. Filha de um casal de funcionários públicos evangélicos - a assistente social Hosana Gomes e o advogado Dirson Barbosa -, ela tem cinco irmãos. Dois deles nascidos após o segundo casamento do pai, que se divorciou quando Rachel ainda era adolescente. Criada  frequentando cultos na Primeira Igreja Batista em João Pessoa (PB), como a mãe, Rachel fez teatro naquela congregação, mas se tornou uma "contadora de histórias" reais, quando assumiu, em 2003, a bancada do Jornalismo da TV Tambaú, afiliada do Sistema Brasileiro de televisão (SBT) na Paraíba. Antes disso, ela se formou em Jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

A inteligência, beleza e personalidade forte lhe renderam a admiração dos colegas e do público. Foram oito anos apresentando o noticiário, até que em fevereiro de 2011, uma opinião sobre o Carnaval mudou sua vida. No comentário, na semana em que a festa acontecia, ela não poupou palavras: Alguém já parou para calcular o quanto o Estado gasta para socorrer vítimas de acidentes causados por foliões embriagados? Quantos milhões são pagos em indenizações por morte ou invalidez decorrentes desses acidentes?. A coragem das suas palavras e seu texto incisivo foram para a internet, e o vídeo foi visto por mais de um milhão de espectadores. Dentre eles, Silvio Santos, proprietário do SBT, que a convocou para ocupar a bancada do principal telejornal da emissora em rede nacional.


QUESTÕES POLÊMICAS - Com as notícias, a jornalista recebeu a incumbência de tecer comentários sobre algumas pautas do dia. falou sobre quase tudo. No final de 2013, disse que não acreditava  no Natal-consumo, de gentilezas fugazes, do altruísmo anual. Diante de uma notícia sobre adultérios, em fevereiro do ano passado, argumentou: Desde 2005, o adultério deixou de ser crime no Brasil. Não deveria. Quando grupos de jovens passaram a adentrar Shoppings pelo país com os chamados "rolezinhos", em meados de dezembro, polemizou: Foi justamente a violência, o caos urbano, que forçou o consumidor a abandonar o comércio de rua, as praças públicas, os cinemas, teatros, restaurantes e migrar para espaços fechados e vigiados. Mas, agora, até esse refúgio foi violado.

As opiniões de Sheherazade têm sido efusivamente aplaudidas por muitos e duramente criticadas por outros. A pressão, no entanto, chegou ao seu ponto mais alto, quando o noticiário reportou, em fevereiro deste ano, sobre um menor infrator que havia sido preso a um poste na zona sul do Rio de Janeiro e agredido por moradores revoltados com a onda de assaltos. E um país que ostenta incríveis 26 assassinados a cada cem mil habitantes, aquiva mais de 80% de inquéritos de homicídio e sofre de violência endêmica, a atitude dos vingadores é até compreensível.

Rachel foi censurada publicamente por sindicatos de jornalistas, que publicaram notas de repúdio aos seus comentários, classificando-os como grave violação de direitos humanos e do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros. A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) entrou com uma representação contra Sheherazade no Ministério Público Federal de São Paulo, e, por algumas semanas, a apresentadora deixou a bancada do jornal.

Porém,  Rachel Sheherazade não caiu em descrédito junto à emissora e teve seu contrato renovado com o SBT, recebendo um bom aumento e a promessa de apresentar um programa só dela. Além disso, voltou a emitir opiniões no ar. A polêmica, na verdade, rendeu-lhe mais notoriedade, e ela assinou contrato com uma editora evangélica para lançar seu primeiro livro até o final do ano. Segundo a editora, na obra, a comunicadora falará sobre os problemas que afetam a sociedade brasileira, dando um abordagem sobre os valores e as virtudes necessários para a construção de um comportamento íntegro é ético.

Casada há nove anos com o corretor de imóveis Rodrigo Porto e mãe de Clara, sete anos, e de Gabriel, seis, a jornalista não esconde a sua fé cristã e tem, como frase preferida, o trecho de Romanos 8.28a: E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus. Rachel é membro da Igreja Deus Primeiro, situada próximo de sua casa, no bairro nobre de Alphaville, em Barueri, na Grande São Paulo. "Ela tem uma missão especial e um propósito dado por Deus à nação", acredita o pastor da comunidade, Marcos Camargo Silva. Ele e a família são alguns dos poucos e leais amigos da apresentadora em São Paulo.

Na igreja de cerca de 70 membros, Rachel e seus familiares não recebem privilégios devido à fama. "Retiramos o rótulo e focamos na pessoa. No caso dela, que tem um chamado para falar a milhões, cada vez que diz algo, a unção divina também flui", relata o pastor. Ele afirma que, durante os períodos de maior pressão da mídia, a apresentadora e sua família continuaram frequentando os cultos e as reuniões de oração e comunhão. "Ela é bem atenciosa com as coisas de Deus, tem um marido que dá total suporte a ela, isso faz com que viva alegre dentro e fora de casa". Graças a este apoio, a jornalista pode emitir  suas observações contundentes e, à semelhança da Sherazade dos contos árabes, talvez ajudar a mudar os rumos da História de uma nação.






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(Postado por: MARCOS MARCELINO)











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