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quinta-feira, 30 de maio de 2013

HERESIA: PEDRO O PRIMEIRO PAPA DA IGREJA DE CRISTO



Por: Abrão de Almeida

Nesta edição, retomaremos a análise das heresias à luz da Bíblia. No número anterior, tratamos do arianismo e do paganismo (deuses, semideuses e santos). Neste artigo falaremos apenas da sucessão apostólica.

Poucos textos bíblicos têm gerado mais controvérsias, através dos séculos, do que este: Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou? E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai, que está nos céus. Pois eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do Reino dos céus, e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus (Mt 16.15-19).

Eis a passagem basilar da sucessão apostólica, segundo a qual Simão Barjonas foi o primeiro papa a governar a Igreja, de 33 a 66 d.C., sendo possuidor de autoridade suprema sobre todos os fiéis. Tal ensino, incrivelmente ousado quando posto à luz da História e da Bíblia, ainda hoje é sustentado por alguns. Contra todas as evidências históricas e escriturísticas, admite-se a canonicidade do ministério papal daquele apóstolo, em decorrência do qual proveio o dogma que confere aos chefes visíveis da Igreja Romana e plenitude do poder espiritual legado por Cristo.

São Pedro, de acordo com o catolicismo, nasceu em Betsaida e expirou em Roma, em 29 de junho de 66. Esteve em Antioquia, onde fixou sua sede pontificial, viajando, depois, pela Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia. No segundo reinado de Cláudio, transferiu-se para a capital italiana, onde foi preso. Indultado, voltou a Jerusalém, local em que presidiu o primeiro concílio da Igreja. Pelo ano de 65, voltou a Roma com o apóstolo Paulo e, poucos meses depois, foi crucificado, sob o governo de Nero.

A Igreja Romana ensina ainda que Pedro foi o príncipe dos apóstolos, que a Igreja foi fundada sobre ele e que o papa é seu sucessor e vigário de Jesus Cristo, infalível quando fala do que concerne à fé ou a moral.


JESUS É A PEDRA - O texto de Mateus 16.15-19, usado em apoio à doutrina da supremacia papal, não é tão difícil de ser compreendido. Jesus pergunta aos discípulos: E vós, quem dizeis que eu sou? Ao que Pedro respondeu: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Então o Mestre declara que o apóstolo é um bem-aventurado, como todo o crente, e diz: Pois também eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

O discípulo confessa Cristo, o qual fala: sobre esta pedra (Jesus) edificarei a minha igreja. O Senhor é a Pedra, o fundamento sobre O qual a Igreja está edificada. A mudança do te para esta pedra, no versículo 18, é notável, especialmente pelo fato de o Salvador voltar a usar o pronome no verso 19. Se a Igreja tivesse de ser alicerçada sobre Pedro, o Redentor teria dito: sobre ti edificarei a Igreja. Entretanto, Ele disse: Sobre esta pedra edificarei a minha igreja. Eu te (a ti, Pedro) darei as chaves do Reino dos céus.

Que Jesus Cristo é a Pedra, e não o apóstolo, não há a menor dúvida na Palavra de Deus. Além das passagens de Gênesis 49.24, Salmo 118.22 e Isaías 28.16, temos no Novo Testamento, as próprias palavras dele, de valor incomparavelmente superior a todas as falácias não fundamentadas na Bíblia. E, chegando-vos para ele, a pedra viva, reprovada, na verdade, pelos os homens, mas para com Deus eleita e preciosa (1 Pe 2.4; veja também os versos 5 a 8).

Já na sua confissão anterior, registrada por Mateus, Pedro reconhece a divindade do Mestre, o qual apresenta Sua opinião acerca do apóstolo. É afirmação clara das Escrituras, conforme explica o professor de grego do Instituto Bíblico Moody, Kenneth S.Wuest, em seu livro 'Jóias do Novo Testamento grego' (Imprensa Batista Regular): O nome original de Pedro era Simão. Nosso Senhor lhe adicionou o apelido Cefas, que, no aramaico, significa uma pedra (Jo 1.42), como descrição do caráter de Simão quando o Espírito Santo viesse ocupá-lo totalmente [...]. Mateus, entretanto , escrevendo em grego, usou um termo que significa pedrinha, e é desse vocábulo que obtivemos a palavra Pedro.

No entanto, mesmo conferindo às palavras de Jesus o sentido que elas não possuem - como não temem em fazê-lo -, a doutrina da sucessão apostólica continua estranha ao espírito do Novo Testamento, no qual se podem comparar as atividades dos apóstolos Paulo e João às de Pedro, sendo possível demonstrar que aqueles são merecedores da mesma honraria a este atribuída.

Jesus veio especialmente do Céu para converter Paulo e investi-lo no apostolado; aliás, foi ele quem levou o Evangelho a todas as nações e fundou o que poderíamos chamar de Teologia Sistemática e Teologia Apologética, segundo afirmam renomados estudiosos da Bíblia. Foi o apóstolo também que codificou a moral derivada da justificação pela fé e não pelas obras; quem recebeu revelações de Deus tão extraordinárias que a palavra humana é incapaz de descrevê-las; quem recebeu a missão, diretamente de Cristo, de pregar em Roma.

Foi Paulo constituído apóstolo de todos os homens; por isso, ele se abrasava pelo cuidado de todas as igrejas. Foi ele também que repreendeu Pedro na cara e em público, quando este caiu em falta.

E o que dizer de João? Foi chamado por Jesus de Filho do Trovão; era o discípulo que o Senhor amava. Reclinava a cabeça no seio do Mestre e acompanhou de perto todo o drama do Calvário. Além disso, foi ele quem escreveu o mais extraordinário dos evangelhos e recebeu a revelação do futuro glorioso da Igreja e da vinda do anticristo. Foi a João que o Salvador confiou o cuidado de Sua mãe.

Argumentar que Pedro foi o principal dos dos apóstolos e deixou sucessores como papas da Igreja é ir de encontro a todo o contexto bíblico.


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Abraão de Almeida é pastor da Igreja Evangélica Brasileira em Coconut Creek, Flórida, EUA, e autor de mais de 30 livros em português e espanhol. Também tem uma coluna  chamada: 'FALANDO DE HISTÓRIA' na Revista Graça/Show da Fé (Graça Editorial).







Fonte: Revista Graça/Show da Fé




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