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sábado, 19 de janeiro de 2013

QUANDO DEUS FALA NO SILÊNCIO



"Mas tu, quando orares, entre no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente." (Mt 6:6)




É grande o nosso apetite pelos ajuntamentos, reuniões, movimentações. Mas a grande, a maior característica dos grandes homens, os que marcam outras vidas, é sem dúvida a sua experiência no secreto de Deus - e com Ele.


Não que isso parece fácil, ou é publicitado aos olhos de todos. Enquanto gostamos do barulho, Deus ainda forja os seus vencedores no constrangedor silêncio do Seu secreto.

O rei David por exemplo, quando apresentou-se para combater o maior de todos, o amedrontador do exército de Israel, estava escudado nas experiências que vivera com Deus no ermo, quando banda nenhuma executava alguma trilha sonora, quando as claques não estavam para aplaudir, quando não havia sequer uma voz para ajudá-lo a compreender aquilo que o silêncio que encontramos no secreto de Deus está nos revelar  ou produz em nós. Nem para atrapalhar também, é verdade.

Só há o avançar público e notório, quando estamos respaldados pela vida no secreto. Ali, David enfrentou o leão pela juba, apanhou o urso à unha, sem que essa história tivesse corrido mundo pelas "bocas-de-matilde". Nem se viu tal façanha, nem também, ninguém ouviu-lhe os joelhos a "tocarem castanhola", o seu medo, a aflição diante do perigo e o grito rouco, talvez, de sua alma a enfrentar-se a si própria a as suas limitações diante da morte certa. Podem ler, essa história só saiu da sua boca, não estava nos jornais, cressem ou não nela, isso tudo era o testemunho na primeira pessoa e só a ele interessava naquela hora de desafio.

Não há registros claros a respeito de tudo o que passou a alma de Abrahão, quando levava o filho Muriá acima, em silêncio, sem conversa, sem muita prosa, para aquilo que, certamente, compartilhado o intento, poderia levar-lhe a um tribunal, ou a condenação da geral, da vox-populi...

Ali, Abrahão, antes de deferir o golpe - impedido por Deus no derradeiro ato de fé e obediência - matara a si mesmo. Matara o pai da fé, a sua carne, a sua lucidez, a sua sanidade e a lógica da razão humana, destruídas a prazo, em minutos, horas, de muita luta e talvez perguntas de debates consigo próprio não correspondidos por Deus. Em horas de silêncio, medo, angústia...E ali também, conseguiu ele o testemunho de Deus sobre a sua fé. A fé de ter andado com Deus e de, contra tudo (e dele próprio!) sem ter as suas respostas todas respondidas, obedeceu e creu. E ganhou o supremo prêmio de ser para sempre o "Pai da Fé".

Quanto no silêncio temos investido? Quanto do tempo no secreto temos gasto? É precisamente ali  que Deus nos fala mais fortemente. Ainda que para todos, para a "galera", para a massa, seja tudo, somente silêncio. Nada mais do que silêncio.


Por: Rubinho Pirola


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Fonte: Genizah 




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